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Hurb: do boom de viagens baratas ao colapso financeiro

Por Criado em: 4 min de leitura

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Entenda como a agência de viagens online se tornou caso de falência no Brasil.

O auge de uma startup que promovia viagens acessíveis

No começo dos anos 2010, uma startup carioca chamada Hotel Urbano revolucionou o jeito de viajar dos brasileiros. A ideia era simples e poderosa: oferecer descontos malucos em hospedagem e pacotes turísticos. Até 70% de desconto em hotéis de cidades como Rio de Janeiro e Miami para destinos internacionais.

A empresa cresceu rapidamente, alcançou milhões de usuários, faturava centenas de milhões, e se tornou a queridinha de millennials que queriam viajar por menos. Em 2020, a empresa mudou seu nome para Hurb, sinalizando uma expansão além de apenas hotéis.

Mas a história que começou tão bem terminou num desastre que deixou centenas de milhares de clientes sem reembolso e a empresa em falência.

O boom do Hotel Urbano

Fundado em 2011 por João Alisson e Antonio Dias, o Hotel Urbano surfou a onda de crescimento da internet brasileira e das viagens internacionais para a classe média. Marketing agressivo em redes sociais, parcerias com hotéis globais, e um modelo de negócio que funcionava: comprar acomodação em massa e revender com desconto significativo.

A vibe era de viagens democráticas, acessíveis, descomplicadas. E durante alguns anos, funcionou muito bem.

O tombo: a pandemia de 2020

Em março de 2020, quando a COVID-19 paralisou o mundo, o turismo foi o setor mais atingido. Voos foram cancelados, fronteiras fecharam, hotéis se esvaziaram.

Para clientes que haviam comprado viagens com o Hotel Urbano/Hurb, a situação virou caos. Reembolsos não saíam, atendimento não respondia, e a empresa acumulava dívidas. Rapidamente, a dívida passou de centenas de milhões para mais de um bilhão de reais apenas em passivos com clientes.

Em agosto de 2020, a empresa pediu recuperação judicial no tribunal do Rio de Janeiro. Foi um escândalo massivo: protestos nas redes sociais, processos abertos no Procon, intervenção de órgãos reguladores.

O Ministério Público Federal abriu inquérito. A empresa prometeu se reestruturar e cumprir com clientes, mas as promessas se mostraram vazias.

Os anos seguintes: tentativa fracassada de recuperação

Entre 2021 e 2024, o Hurb tentou se reinventar. Mudou seu modelo, cortou custos, focou em vendas online direto. Mas os problemas estruturais permaneciam: dívidas enormes, reembolsos atrasados, clientes furioso.

Segundo informado em 2025, a empresa enfrentava 14 processos de falência simultâneos. Era claro que a recuperação judicial não tinha sido eficaz.

O colapso de 2025

Em janeiro de 2025, notícias sobre novos processos de falência começaram a aparecer. Em abril de 2025, a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) encerrou negociações de acordo com o Hurb, afirmando que a empresa não conseguia comprovar sua capacidade de cumprir com consumidores.

Logo após, o Ministério do Turismo cancelou o Cadastur da empresa — a licença obrigatória para operar como agência de turismo. Sem essa autorização, a Hurb não podia mais vender pacotes legalmente.

Depois veio o golpe final: decisão judicial congelou o domínio hurb.com.br. O site saiu do ar. O Instagram oficial da empresa começou a postar mensagens enigmáticas, alimentando especulação de que tudo havia terminado.

A situação atual: falência e consumidores lesados

A Hurb está formalmente em processo de falência. Credores brigar pelo que sobra dos ativos da empresa. Clientes com reembolsos pendentes de anos atrás continuam esperando receber.

Muitos foram lesados: pessoas que pagaram por viagens que nunca aconteceram, clientes com dinheiro congelado, turistas que perderam investimentos em pacotes.

Segundo informado em 2025 e 2026, o Procon recomenda que consumidores ajuizem ações coletivas. Para valores até 40 salários mínimos, você pode ir ao Juizado Especial Cível sem precisar de advogado. É necessário documentação de compra e comprovante de tentativa de receber reembolso.

O que aprender com o colapso da Hurb

A história do Hurb oferece várias lições importantes para consumidores:

  • Empresas que dependem de um modelo único (descontos agressivos em hospedagem) são frágeis quando o mercado muda
  • Reclamações em massa num órgão de defesa do consumidor é sinal de perigo; não compre mais ali
  • Crises externas (como uma pandemia) podem revelar fraquezas estruturais escondidas
  • Promessas de recuperação judicial nem sempre se cumprem
  • Proteger seu dinheiro é responsabilidade sua; se desconfiar, não compre

Perguntas frequentes

Ainda é possível recuperar dinheiro pendente com o Hurb?

Sim, mas será difícil e demorado. Procure o Juizado Especial Cível se o valor for pequeno (até 40 salários mínimos), ou contrate advogado para ação coletiva se o valor for maior. Junte toda documentação de compra e tentativas de contato com a empresa.

Que agências de viagem são seguras agora?

Decolar e CVC dominam o mercado. Comprando em plataformas estabelecidas por décadas com bom histórico no Reclame Aqui, o risco diminui bastante. Leia avaliações, procure reclamações recentes, e desconfie de preços que pareçam impossíveis.

Como não cair nessa situação de novo?

Use cartão de crédito (oferece proteção), evite transferências bancárias diretas, compre em plataformas consolidadas, verifique o histórico da empresa, e se desconfiar, procure a empresa oficialmente antes de comprar. Descontos muito agressivos são sinal de risco.

Notas sobre este conteúdo

  • Criado em , por Redação Atendimento ao Cliente: reunimos os canais de atendimento, indicamos qual usar em cada situação e resumimos o que o Código de Defesa do Consumidor garante.
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Redação Atendimento ao Cliente Autor

Equipe editorial

Equipe responsável por apurar e atualizar telefones, canais de atendimento e guias do consumidor.

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